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“Projetado para as pistas e sonho de consumo de muita gente entre as décadas de 70 e 90, um dos carros esportivos mais famosos do País foi celebrado por centenas de pessoas no último sábado em Sorocaba: o Puma. Dos pouco mais de 20 mil veículos produzidos pela empresa entre 1966 e 1993, 60 exemplares participaram do encontro promovido pela Garagem das Carangas — espaço de eventos automobilísticos no Alto da Boa Vista.

É Marcelo Ribeiro, o Mosca, do Puma Clube de Sorocaba, quem conta um pouco da importância desse carro para a história da indústria de automóveis no Brasil. Nascido para ser rápido, eficiente em aerodinâmica e, principalmente, leve — aspecto conseguido com a adoção da fibra de vidro na construção da carroceria –, conseguia marcas improváveis para motores de quatro cilindros (como os 142,86 km/h atingidos em um teste da revista Quatro Rodas com um Puma GT). “É uma combinação diferente de todos os outros carros “fora de série”. Você nunca verá um Puma com motor forte”, observa Ribeiro, elencando os motores e plataformas adotadas ao longo de três décadas: DKW/Vemag, Volkswagen (Brasília, Karmann-Ghia ou Gol AP) e Chevrolet (Opala) — este de seis cilindros e capaz de fazer o carro chegar a 170 km/h –, sempre modificados para turbinar o desempenho.

O êxito do projeto, em uma época na qual a importação de automóveis esportivos era dificultada pelas barreiras alfandegárias, transformou os Pumas em objeto de desejo dos jovens motoristas da época. Especialmente sua versão conversível, que só encontrava concorrentes no Karmann-Ghia ou no Volkswagen SP2. “Graças à Puma tivemos um projeto brasileiro difundido pelo mundo”, agradece o entusiasta, dono de um veículo modelo GTS produzido em 1975 e raro pela utilização de mecânica Karmann-Ghia: só foram construídos 200 deles naquele ano.

Merecedor da placa preta — condecoração aos carros que conservam pelo menos 70% das suas características de fábrica –, o Puma de Ribeiro se junta, na estimativa do clube, a outros 50 de diferentes anos e configurações pertencentes a proprietários sorocabanos. E que trazem consigo diversas particularidades quando submetidos a procedimentos de restauro. “Quando se vai recuperar um Puma é indispensável a figura do especialista em fibra. Se por um lado esses carros não têm corrosão, é quase certo que apresentem trincas na carenagem”, relata.

Fila de espera

A dificuldade para a aquisição de carros esportivos nos anos 70 era tão grande que havia filas de espera entre os candidatos. Marcelo conta que isso deu margem para a ocorrência de uma prática curiosa: empresários que compravam os carros junto à Puma para revendê-los de pronta entrega, com ágio, aos mais ansiosos por colocarem as mãos em seus volantes.

Puma renasce para as pistas

“Nas pistas nascemos, pelas pistas voltaremos”. Com esse lema e fábrica em Itatinga, no interior de São Paulo, a nova Puma Automóveis se dedica a continuar um legado iniciado quando o primeiro protótipo em metal foi construído em 1964, a pedido do departamento de competições da Vemag, pelo projetista Rino Malzoni: o GT Malzoni, “pai” do Puma GT.

Formada por um grupo de empresários entusiastas do clássico esportivo, a empresa que hoje detém os direitos da famosa marca trouxe para o evento em Sorocaba um protótipo da nova geração do Puma, que deverá ter uma categoria própria de competição. “Estamos pensando em algo que possa unir velocidade e regularidade na pista, e agregar o motorista “velhinho”, como eu, do Puma clássico, às novas gerações”, adianta Toninho Hernandez, diretor comercial da Puma Automóveis.

De acordo com ele, o atual protótipo passa por uma bateria de testes, onde são avaliados o desempenho do chassi e da suspensão. O atual motor, de 120 cavalos, deve ser substituído em breve pela mecânica Chevrolet 2.0 (Astra) — elevando a velocidade para além dos 200 km/h. A carroceria continua em fibra de vidro e o peso total do carro não chega a 600kg. Paralelamente a isso, a empresa espera apresentar até o final do ano uma versão de passeio do carro de corrida — tal como ocorreu nos primeiros passos da antiga Puma Veículos e Motores Ltda.

Um exemplar da última série

Enquanto a Puma não volta às ruas, é na coleção do campineiro Christian Lovatto que está uma parte do último capítulo da montadora: os carros série AM, construídos entre 1988 e 1995. Caso, por exemplo, do Puma AM3 fabricado em 1993 que Lovatto trouxe ao evento em Sorocaba. Antes de um hiato de quase 20 anos, que terminou em 2013 com a criação da Puma atual, a curitibana Alfa Metais foi a última produtora do esportivo: já utilizava o motor refrigerado a água da Volkswagen, o mesmo que equipava o Gol AP, com 160 cv de potência.

A Puma iniciada por Rino Malzoni faliu em 1985, sem conseguir competir com as grandes montadoras e já órfã de seu fundador, falecido em 1979. Suas duas sucessoras — primeiro a Araucária Indústria de Veículos, depois a Alfa Metais — foram abatidas pela liberação das vendas e importações de carros no País, instituída pelo governo Collor. Embora a última fase de produção do esportivo possa ser um período triste para alguns, para o colecionador de Campinas foi um campo fértil de pesquisa: ele conseguiu adquirir um veículo de cada modelo produzido pela última detentora da licença da marca (AM1 a 4 e AMV).

“O Puma é certamente o carro esportivo mais famoso do País e chegou a ser o carro mais caro à venda no Brasil, com compradores concentrados principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde estavam os milionários, os “playboys” famosos”, destaca Lovatto, ao comentar o glamour que a marca carrega até os dias atuais. ” Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul